💛 SETEMBRO AMARELO
Quando eu passei pelo período de depressão, eu me lembro que as tarefas mais simples, como tomar banho, lavar uma louça ou escovar os dentes, simplesmente se tornavam extremamente pesadas e difíceis de fazer.
Se eu pudesse descrever a depressão para alguém que nunca passou por isso, eu diria que é como se você acordasse um dia e só conseguisse enxergar as coisas através de uma lente preta e branca, sabe? Como se tudo na sua vida perdesse a cor e ficasse acinzentado.
Para quem não passou por isso, para quem não sabe o que é a depressão, é difícil explicar. Mas, se a gente pensar dessa forma, talvez possa compreender que, quando a vida perde a cor, perde-se também o prazer, perde-se também a alegria e tudo aquilo que as cores, de certa forma, simbolizam e trazem de sensações aos nossos olhos, aos nossos ouvidos e aos nossos sentimentos.
“Permita-se sentar em um café e comer uma sobremesa de que você goste muito. Que tipo de sobremesa você gosta?”
— Eu gosto de sobremesas que têm chocolate. Chocolate preto.
“Então, coma uma sobremesa de chocolate e experimente ter esse momento de presença, sentindo ali o sabor do chocolate.”
E eu me lembro que eu disse a ela que, mesmo a sobremesa de que eu mais gostava, eu não conseguia sentir o sabor.
E eu diria que sabor, cores, sons… tudo isso pode ser substituído ou associado, melhor dizendo à palavra “prazer”.
Então, para mim, a depressão representou totalmente a perda do prazer. O prazer de viver, o prazer de comer, o prazer de se relacionar, o prazer de viajar, o prazer de tudo aquilo que um dia me fazia me sentir bem.
A depressão foi a perda do prazer.
Então, eu acho importante trazer essa consciência, essa visão de quem já passou por isso, para que aqueles que não sabem o que é tentem, pelo menos, imaginar o que é uma vida sem prazer.
E é por isso que, quando uma pessoa está em depressão, especialmente quando está há muito tempo nessa condição, sem ajuda profissional ou sem disposição para buscar ajuda, tirar a própria vida pode passar diversas vezes pela cabeça dessa pessoa.
Porque uma vida sem prazer pode parecer uma vida sem motivo para existir.
Que, neste Setembro Amarelo, a gente possa ter um pouco mais de empatia e um pouco mais de consciência do que significa a depressão.
E possamos, então, ter uma visão de amor ao próximo, de empatia e de se colocar um pouco no lugar do outro: se não estamos passando por isso, devemos agradecer; e, se estamos passando por isso, devemos pedir ajuda e nos esforçar ao máximo para sair dessa situação.
Porque, sim, é possível voltar a sentir prazer, desde que você peça ajuda, desde que você receba ajuda e desde que esteja aberto para essa transformação.
Bora acordar! 💛
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