💛 SETEMBRO AMARELO
“Depressão é raiva e frustração enrustida.”
Foi essa a explicação que encontrei na internet de uma especialista em doenças psicossomáticas (doenças da alma que afetam o corpo). Tinha sido a primeira vez que eu pesquisava para entender o significado da depressão que eu estava passando. Eu queria muito entender o que estava acontecendo comigo para conseguir sair dela e, principalmente, não voltar mais!
Confesso que a princípio ouvir isso me soou meio estranho, mas… antes que eu rebatesse a ideia, preferi olhar para dentro de mim e observar se havia alguma raiva guardada (de alguém, de mim mesma ou de situações do passado) ou se havia uma frustração acumulada, fosse por experiências que vivi ou que gostaria de ter vivido, quem sabe, né?
Ela dizia que ao guardarmos sentimentos passados a depressão poderia se instalar no nosso corpo em forma de raiva ou frustração, justamente por não conseguirmos “processar” uma experiência.
Então entendi que, quando algo acontece em nossas vidas e nossa mente não consegue interpretar, digerir ou assimilar o que aconteceu, ficamos presos. E essa prisão pode ser chamada de: depressão.
Isso fez muito sentido para mim. Faz sentido para você também?
Lembrei-me de que, quando estava em depressão, sentia muita raiva por algumas coisas, principalmente por saber do meu potencial, mas não conseguir usá-lo a meu favor. Por me sentir indisciplinada, inconstante. Uma pessoa que mudava de ideia o tempo todo. Estava infeliz no casamento e depois de cinco anos estudando Direito, concluí o curso, mas percebi que aquela não era a minha vocação e não me sentia realizada na profissão.
Então, pensando bem… o que aquela autora disse, fazia mesmo sentido para mim.
Eu sentia uma mistura de raiva e frustração ao mesmo tempo por não conseguir sair daquele ciclo. Desejava ter uma vida diferente, mas não conseguia mudar, nem mudar a mim mesma!
Com o passar dos anos e principalmente com o autoconhecimento, percebi que a responsabilidade dessa raiva e frustração estava nas minhas mãos, e não nas mãos do outro. Então era EU quem permitia que tudo aquilo acontecesse e só eu poderia mudar.
As pessoas só fazem conosco aquilo que permitimos, até o momento em que impomos um limite e dizemos: “Opa, até aqui você pode ir, daqui para a frente, não.”
No entanto, ao entender que a responsabilidade era minha por ter permitido que tantas coisas acontecessem em minha vida, percebi que passei também a sentir raiva de mim mesma (sem entender que isso me mantinha presa à depressão).
Só consegui mudar quando percebi que precisava me perdoar pelas escolhas que fiz. E, depois, pude perdoar o outro. Compreendendo que ele deu o melhor que tinha para dar naquele momento. Mesmo que esse “melhor” não fosse o ideal para mim. Éramos duas pessoas imaturas tentando fazer um relacionamento dar certo.
Só consegui mudar quando percebi que precisava me perdoar pelas escolhas que fiz.
A partir desse autoperdão, consegui me libertar do passado que me prendia, acolher quem passou pela minha vida e olhar com mais leveza para quem está nela hoje.
Entendi que o tempo que passou não volta e que não posso mudar a história, mas posso aceitá-la como foi, aprender as lições que ela trouxe e agradecer por saber que ainda tenho uma vida inteira pela frente para escrever uma nova história, desta vez de forma muito mais consciente.
E mesmo que, no futuro, eu volte a errar e me frustrar, agora já conheço o caminho de volta para mim: me perdoar, aceitar, soltar e entender que tudo o que acontece vem para o nosso bem e crescimento, mesmo quando não conseguimos enxergar isso no momento (porque provavelmente não vamos mesmo).
Aprendi a me perguntar: “O que a vida quer me ensinar com isso?” Em vez de: “Por que isso aconteceu comigo?”
Passei a encarar os desafios com curiosidade, como uma constante estudante da vida. É claro que isso pode soar um pouco romântico, pois nem todos os dias estamos dispostos a aprender. Às vezes, só queremos que as coisas deem certo, então, está tudo bem se frustrar.
O problema não é sentir frustração ou raiva pontualmente, mas sim MORAR nesses sentimentos e alimentá-los diariamente.
O problema não é sentir frustração ou raiva pontualmente, mas sim MORAR nesses sentimentos e alimentá-los diariamente.
Enquanto estivermos vivos, sempre haverá tempo para recomeçar.
E quando algo não sair como planejado, o caminho é acolher a emoção, extrair a lição e seguir em frente.
Com carinho, de quem quer te lembrar que o passado pode ser uma lição, e não uma sentença. Dany Pereira
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